O Orgulho Final: Ateísmo

Quando você toma as três categorias de tentação à autossuficiência – sabedoria, poder e riquezas – elas formam um incentivo poderoso para a última forma de orgulho, a saber, o ateísmo. A maneira mais segura de se manter supremo em nossa própria estima é negar qualquer coisa acima de nós. Por isso, os orgulhosos se preocupam em olhar para os outros. “Um homem orgulhoso está sempre olhando para as coisas e pessoas: e, claro, enquanto você estiver olhando para baixo, você não pode ver algo que está acima de você”. Mas, para preservar o orgulho pode ser mais simples proclamar que não existe nada acima para se olhar.
“O perverso, na sua soberba, não investiga; que não há Deus são todas as suas cogitações.” (Salmo 10:4). Em última análise, os soberbos devem convencer a si mesmos de que não há Deus.
Uma razão para isso é que a realidade de Deus é extremamente intrusiva, em todos os detalhes da vida. O orgulho não pode tolerar o envolvimento íntimo de Deus na execução, até mesmo, de afazeres comuns da vida.  Por exemplo, Tiago, o irmão de Jesus, diagnostica o orgulho por trás da presunção simples de planejar ir de uma cidade para a outra:

Atendei, agora, vós que dizeis: Hoje ou amanhã, iremos para tal cidade, e lá passaremos um ano, e negociaremos, e teremos lucros. Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa. Em vez disso, devíeis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como também faremos isto ou aquilo. Agora, entretanto, vos jactais das vossas arrogantes pretensões. Toda jactância semelhante a essa é maligna. Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando. Tiago 4:13-17

O orgulho não gosta da soberania de Deus. Portanto, o orgulhoso não gosta da existência de Deus, porque Deus é soberano. Pode-se expressar isso, dizendo: “Não há Deus”. Ou pode-se expressá-lo, dizendo: “Não tenha tanta certeza”. Em vez disso, diga: “Se o Senhor quiser, viveremos e chegaremos a Atlanta, para o Natal”. O ponto de Tiago é que Deus governa se nós chegaremos a Atlanta, e se você viverá até o fim desta página. “Se o Senhor quiser, viveremos…” Isso é extremamente ofensivo à autossuficiência do orgulho – nem mesmo ter controle sobre se você chega ao final da página, sem ter um derrame!
Tiago diz que não acreditar nos direitos soberanos de Deus, de gerenciar os detalhes do futuro, é arrogância. A maneira de lutar contra essa arrogância é render-se à soberania de Deus em todos os detalhes da vida, e descansar em suas infalíveis promessas de mostrar-se forte em nosso favor (2 Coríntios 16:9), de nos seguir com bondade e misericórdia a cada dia (Isaías 64:4) e de nos prover com tudo o que precisamos para viver para a sua glória (Hebreus 13:21). Em outras palavras, o remédio para o orgulho é a fé inabalável na graça futura.

(Extraído do livro: Lutando Contra a Incredulidade – John Piper)

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